AMCMMG

Segunda vai ter lugar a última Assembleia Municipal do ano. Vai ser nela que vão ser votados assuntos como o orçamento para o próximo ano ou a transferência de competências na área da saúde e educação. Num modelo misto, temos alguma curiosidade para ver quem serão os que vão estar à distância. Mas a última assembleia leva-nos a um assunto que de vez em quando nos lembramos, a representatividade. Há três anos os eleitores escolheram os seus representantes quer para a Assembleia Municipal quer para a Câmara. Fizeram as escolhas com base naquilo que eram os seus programas eleitorais. Com tudo o que tem acontecido, há coisas que têm surgido que não estavam nos programas eleitorais. Questões como a transferência de competências foi um assunto que apenas surgiu com este Governo, já muito depois das eleições autárquicas. Nenhum eleitor sabia que esse assunto se iria colocar e nenhum sabia os que os eleitos pensavam sobre o assunto. Tomar medidas para situações de emergência ou mesmo a suspensão do PDM é algo que não estava nos programas uma vez que, quanto às primeiras, não se podia prever e, quanto à segunda, foi algo que todos prometeram que a revisão já estaria feita. Significa isto que aos eleitos estão a ser colocadas questões novas, questões sobre as quais os eleitores não se pronunciaram quando deram o seu voto. Partindo deste pressuposto seria previsível que os eleitos, de quando em vez, escutassem a opinião dos eleitores sobre aquilo que são os temas que têm surgido e que estão longe dos programas eleitorais. Mas não! Segunda os eleitos vão estar a votar matérias sobre as quais os eleitores não lhes deram qualquer mandato, questões que aliás não é a primeira vez que são discutidas. Quer o PCP, PS, MpM e +C, já para não falar na deputada que só se representa a si, não fizeram ao longo deste mandato qualquer ‘sondagem’ ao que os seus eleitores pensam sobre os assuntos. Com excepção do +C que de vez em quando anuncia umas reuniões abertas a quem quiser comparecer, reuniões de utilidade duvidosa e que serve mais para fazer prova de vida (cada vez mais ténue), mais nenhuma força ouviu mais os seus eleitores depois das eleições. É como se achassem que têm carta branca para fazer o que lhes apetece. Fica, por isso, em dúvida a legitimidade moral que os eleitos têm para irem decidir coisas que os eleitores não os mandataram para decidir, numa representatividade que deixa muito a desejar. Claro que daqui a uns meses vais ser vê-los a todos a andar de porta em porta a voltar a mostrar que os eleitores são muito importantes, apesar de se terem esquecido deles todos os meses que passaram!


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