MPTRomeira

Depois do que temos lido, lançamos um desafio ao Romeira para que pudesse dar resposta a algumas questões. O desafio foi aceite e eis a ‘entrevista’ possível.

Domingo anunciou a sua demissão da Comissão Politica Nacional do MPT. Significa isso que irá dedicar-se mais tempo ao concelho?

Deixando de possuir cargos a nível nacional, deixa-me igualmente mais liberto para me dedicar a outros projectos, pois as funções que eu desempenhava obrigavam-me a reservar demasiado tempo e a fazer demasiadas viagens. Naturalmente que agora poderei dedicar-me mais ao trabalho partidário a desenvolver na Marinha Grande. E essa é a minha intenção. Nos últimos tempos passei por um período complicado, de ajuste e adaptação, ao nível pessoal e profissional, que me fez reformatar alguns dos meus projectos. Esta demissão, apesar de ter ocorrido por motivos que me deixam triste, até veio a calhar bem para esse fim, pois agora sinto-me pronto para um verdadeiro exercício da cidadania, sem condicionalismos de qualquer espécie.

Há duas semanas um dos candidatos à liderança do PSD local afirmou que a Aliança Democrática foi um erro. Concorda com essa ideia?

Eu sei de quem está a falar, do José Duarte. Devo dizer-lhe que não gostei do tom da entrevista que ele deu ao JMG, mas compreendo que alguns políticos, erroneamente quando a mim, quando são candidatos a alguma coisa entram na onda da retórica política populista. O projecto da AD foi, e sempre será, um grande projecto e não sou o único a acreditar nisso. Muitas pessoas dentro do PSD nacional partilham a mesma convicção. Até porque dado actual espectro político nacional, mais tarde ou mais cedo, será necessário um bloco de centro-direita forte que representa a oposição ao bloco constituído pela “Geringonça”. Na minha opinião, a única falha da AD foi não se ter conseguido “agarrar” o CDS naquela altura e não se ter alargado a Aliança ao PPM (que até estava com vontade de entrar). Mas é com os erros que aprendemos. Hoje é fácil dizer-se que a AD na Marinha Grande foi um erro, mas isso é o caminho mais fácil que apenas serve para justificar incapacidades que levaram a resultados desastrosos. Eu não penso assim e ainda estou na esperança que a AD se reedite um dia. Porém, nos dias que correm não me parece que seja possível a nível local, por impreparação do PSD, nem a nível nacional, por degeneração do MPT. Mas pode ser que entretanto essas realidades se alterem.

O MPT conseguiu, graças à AD, eleger um deputado para a Assembleia de Freguesia. Quem esteve presente na tomada de posse assistiu a um episódio que fugiu ao normal. Ao certo o que se passou?

O MPT elegeu um deputado graças à AD, mas o PSD só conseguiu ir a eleições também graças à AD. Não nos esqueçamos dessa verdade! Quanto ao episódio que levou o MPT a preencher a vaga de deputado de freguesia, libertada pela formação do executivo, a única coisa que eu achei anormal foi a surpresa que isso causou, mas que não passou apenas do mero cumprimento da Lei! As coligações desfazem-se logo a seguir às eleições e situações em que a cadeira deixada vaga pela constituição dos executivos é preenchida por um elemento do mesmo Partido (e não da mesma lista), passaram-se um pouco pot todo o país. Só em situações excepcionais tal cenário não ocorreu, como foi em Leiria, que nos mantivemos na mesma bancada que o PSD. Mas em Leiria as coisas foram faladas antecipadamente. Antecipação que não aconteceu na Marinha Grande, pois nesse sentido, logo a seguir às eleições andámos reiteradamente a pedir uma reunião ao PSD para discutir o futuro da Aliança. Reunião que nos foi sempre negada, de uma forma até algo arrogante e pouco cordial por parte do Ricardo Galo. A única vez que marcaram uma reunião para falar do assunto, foi apenas entre eles e tiveram ainda o desplante de chamar o Vitor Leal, que é o nosso militante que tinha sido eleito para o Executivo da Junta, com o intuito de o aliciar (nas palavras do próprio Vitor) a refutar o MPT e virar-se para o PSD, pois não achavam bem que o MPT tivesse qualquer tipo de “protagonismo” na política do Concelho. Nessa reunião também estiveram presentes, pactuando da mesma postura, o Gastão (que estava convencido que iria ocupar o cargo de deputado na Assembleia de Freguesia) e o José Duarte que agora se vem queixar que a AD foi um erro. Acha que foi uma postura honesta ou eticamente correcta? Nunca assisti ao PSD deixar de primar por um comportamento irrepreensível para com o MPT, excepto na Marinha Grande. E olhe que todas as Coligações passaram por mim, portanto sei o que estou a dizer. Esta atitude não honrou os ideias e os princípios da boa política que o PSD tem por tradição. Como consequência, fez-se cumprir a Lei rigorosamente, aquando as nomeações dos lugares para a Junta. Assim, como resultado final, o MPT acaba por ter neste momento dois elementos na Junta da Marinha Grande e o PSD zero, apenas por culpa da sua própria ingerência. Desnecessariamente, diga-se.

Os números mostram que a AD teve o pior resultado de há muitos anos aqui no concelho. A quem ou a o quê atribui esse mau resultado?

Olhe, a AD ao mesmo tempo também obteve o melhor resultado de sempre! Lembre-se que este modelo nunca tinha sido experimentado em autárquicas no nosso Concelho. E na minha opinião, o resultado foi muito digno. Apresentaram-se propostas válidas e interessantes, participou-se nas eleições de forma livre e consciente e bem ou mal, conseguimos levar a nossa mensagem a boa parte do eleitorado. Quando assim é, os números expressam sempre a opção do eleitorado, que é de respeitar. E tudo isso, tendo disponível um dos orçamentos mais baixos entre as candidaturas concorrentes. Claro que nos dificultou o facto de termos começado demasiadamente tarde, muito pouca gente para trabalhar. Do lado do PSD era praticamente o Ricardo Galo e o incansável Sr. Cruz, bem como a Margarida Balseiro Lopes, que tal como eu, sacrificava as suas funções nacionais para estar presente e fazer tudo o que podia. Os outros apareciam apenas quando lhes apetecia, ou quando achavam que a coisa estava a correr bem, pois ninguém parecia querer dar a cara quando os problemas existiam… Tudo o resto que vimos de dinamismo e força de trabalho emanaram praticamente e só do MPT, seus militantes e simpatizantes (alguns dos quais filiando-se a seguir às eleições). Também não seria justo se deixasse de dar nota positiva à comitiva do PSD em Vieira de Leiria, especialmente ao Vitor Dinis. Esses representaram bem o espírito de entrega e muitas vezes lutaram sozinhos contra as dificuldades. Agora… se me questiona sobre os resultados da AD comparados com os do PSD no passado, a análise já é outra. Desse ponto de vista não me atrevo a expor questões mais internas, pois não é o meu Partido. Porém, há outros factores que são visíveis e que dizem respeito a todo o eleitorado. E por aí, considero que os maus resultados do PSD começaram logo com a teimosia do Pedro Silva em querer apoiar o Aurélio Figueiredo. Ele nunca se convenceu que a receita do Rui Moreira do Porto nunca poderia aplicar-se ao PSD da Marinha Grande e saiu contrariado. À conta disso, ele e a sua ala (em sintonia com a candidatura do MpM) empenharam-se em “roubar” o eleitorado do PSD mais à direita, que supostamente seria o mesmo, mas para que esse plano resultasse, o PSD tornava-se assim num alvo a abater. Dos poucos que não pactuaram com esse “arranjinho” e se manteve leal aos seus valores, foi o Dr. João Pereira, que merece todo o meu respeito. Ou seja, o PSD sofreu demasiadas contrariedades internas e externas, sempre com o objectivo de ser colocado fora da equação das eleições… mas depois veio o MPT e estragou tudo (risos).

Durante todo o período de campanha foi visível que assumiu uma postura de defesa do ainda líder da concelhia do PSD. Agora que estão passados alguns meses, ainda mantém essa defesa? E, indo mais à frente, considera que foi a pessoa indicada para liderar a campanha da AD?

A campanha AD inicialmente não foi integralmente dirigida pelo Ricardo Galo e até estava a correr bem. O período menos bom da campanha da AD surgiu na reta final, quando algumas “personalidades” se começaram a alinhar para atacar algumas lideranças. Tanto no PSD, como no MPT. Quando esses tais elementos se começaram a tornar individualistas, passou a desrespeitar-se o plano de campanha e a cooperação interpartidária, comportando-se como verdadeiras claques bairristas. Então tornou-se mais do que evidente que as agendas pessoas iriam estragar a honra do Convento. Para além disso, o debate no Operário foi desastroso como toda a gente viu. Um erro de casting que pagamos caro. Mas não deixo por isso de acreditar que fiz bem em ter defendido o Ricardo Galo e se me tivesse arrependido, também não teria problemas em admiti-lo. Aliás, continuo a defender que o cenário político português precisa cada vez mais de pessoas comuns, que tenham sentido na pele as dificuldades que o povo conhece, que tenham vivido na primeira pessoa os dramas de qualquer família, em luta permanente pela subsistência, pela honra, pela dignidade, e que sejam desprovidas de qualquer tipo de pedantismo político. Nesse sentido, eu achava que o Ricardo Galo protagonizava bem essa imagem popular e ele sabe-o. Porém, enquanto líder político, e porque sou amigo dele (especialmente por isso), parece-me que ele deveria meditar sobre o papel político que quer representar, pois arrisca-se a que lhe “façam a folha” e eu sei que ele vai reagir mal a tal cenário. A política é um mundo cão, sabe?!… Ou o Ricardo Galo desiste, ou prejudica-se pessoalmente, o que é uma pena pois é boa pessoa. Quanto às eleições, se era ou não o candidato mais adequado ao eleitorado da Marinha Grande… enfim… era apesar de tudo o candidato que tínhamos. Temos que compreender que a lógica obrigava que fosse sempre o PSD a indicar o candidato, pois eram eles que tinham o maior eleitorado e eram eles que pagavam as despesas. Alguns dos nossos parceiros não estavam satisfeitos, mas deveriam ter disfarçado esse sentimento até ao final das eleições, não por hipocrisia mas por inteligência e cordialidade. Que ninguém se esqueça que foi o Ricardo Galo que teve a coragem de assumir a liderança do PSD na sua pior altura. Mas admito que caso fosse outro candidato, algumas coisas poderiam ter sido diferentes. A questão é “quem?”. Fiquei com a sensação que o candidato do CDS estava com essa vontade e por não lhe ter sido permitido, fez o que fez. Mas caso tivesse sido eu o candidato, então como reagiriam os do CDS? Chegou-me aos ouvidos que causou mal estar a alguns elementos do CDS o facto do Ricardo Galo me ter convidado para ser o número 2… não sei se é verdade ou não, mas a verdade é que estas celeumas existem em demasiado nos Partidos. E acredito que este é um dos vários factores que leva as pessoas a olharem desconfiadas para os políticos.

Não tem sido visível qualquer intervenção do MPT no concelho. Agora que abandonou o órgão nacional irá avançar com a criação da concelhia ou poderá há outros planos no horizonte?

A Concelhia do MPT está criada! E não temos estado parados. Assumimos algumas posições no Concelho e na Assembleia de Junta, uma delas, apesar de ser polémica, acabou por merecer a atenção da Vereadora Alexandra Dengucho, que admitiu em reunião de Câmara que deveríamos ponderar as nuances relativas à venda da madeira queimada nos incêndios, alinhando-se de certa foram com a proposta que tínhamos apresentado na Assembleia de Junta e que foi chumbada por todos os Partidos, incluindo o PCP. Na altura quase que nos chamaram de malucos, mas acredito que ainda nos acabarão por dar razão. O que tem estado menos activo é a presença nas redes sociais e rede web, mas isso também tem a ver com vicissitudes da gestão central do Partido. Também é preciso tomar nota que temos andado a adaptar-nos e a apoiar a presença do MPT no executivo da Junta, trabalho nem sempre se torna visível para fora. Mas acredito que agora, ficando eu mais disponível, ser-me-á possível ajudar a Presidente da Concelhia, a Dra. Anabela Feliciano, a dinamizar mais o trabalho do MPT no Concelho.

No comunicado que Domingo publicou assume-se como social democrata. Poderá ler-se nisso uma possível filiação no PSD?

(risos). Quem conhece o meu percurso político sabe que eu ingressei no MPT precisamente por desencantamento com o PSD… Mas nem imagina quantas dicas tenho recebido para mudar de Partido, não só durante as últimas eleições, mas especialmente nas últimas semanas, pois a situação com o MPT nacional tem sido excessivamente evidente para todos. Mas isso não vai acontecer, para desespero de algumas personagens mais ambiciosas que me querem ver fora do seu caminho e que já se alinhavam para essa possibilidade (há-os em todas as famílias, até dentro do MPT, e não é preciso ir muito longe). A social-democracia é transversal e não pertence apenas ao PSD. Aliás, infelizmente o PSD tornou-se um Partido mais conservador nas últimas décadas, embora espere que essa realidade mude com um novo sangue. Mudança que até pode vir a ser protagonizada por pessoas como a Margarida Balseiro Lopes que tem tudo para fazer renascer o verdadeiro espírito Sá Carneirista. Indo mais longe, consigo afirmar com toda a certeza que tenho amigos leais e firmes no PS que também se assumem verdadeiros socais-democratas. Portanto, essa posição é mais abstrata do que aquilo que as pessoas interpretaram. Apesar disso, admito que essa minha referência à social-democracia tem também um contexto a ver com o actual momento que o MPT nacional vive. Para o Partido fundado pelo Ribeiro Telles, tinha sido arquitectado durante os últimos três anos, um caminho que o levasse a afirmar-se como o tal Partido ecologista do bloco de Centro-Direita que eu refiro acima. No entanto, eu temo que esse objectivo tenha ficado comprometido. Apesar de ser mais possível eu me tornar militante do PSD, do que alinhar com ideias de inspiração comunista, a mensagem não era essa. Foi uma marcação de posição ideológica. De igual modo, eu assumi-me liberal e europeísta. Sou até federalista, o que não se ajusta com uma certa franja política, daí o meu pedido de demissão. Nunca o MPT precisou tanto dos seus militantes mais esclarecidos como hoje. Se eu sei o que quero e para onde vou, então estarei agora mais firme do que nunca no MPT. O futuro ninguém sabe, mas o “recado” era outro, para alegria de alguns oportunismos no PSD da Marinha Grande e para tristeza de certas pessoas dentro do MPT, cujo nome não digo (risos novamente).

Como tem visto os primeiros meses deste executivo?

Com o mesmo sentimento que a maioria dos marinhenses. Com desapontamento. Esperava-se muito mais. Pode até nem corresponder à realidade, mas tem-se a impressão que a Presidente Cidália não dá um passo sem o “amen” da cúpula central do PS, pois tudo se faz de forma lenta, ultrapassando os prazos do razoável, com um claro cuidado em salvaguardar os interesses partidários, em prejuízo dos interesses do Concelho. Como eu disse acima, pode não ser essa a verdade, mas é a sensação que transmite. Também se fica com a sensação que ainda não se pensou sequer naquilo que quer para o Concelho. Está-se a desperdiçar demasiado tempo nas tricas (interpartidárias) e a investir muito pouco na profícua gestão da coisa pública. Por outro lado também temos que ser justos e denunciar o mau desempenho de uma parte da oposição, pois as máquinas partidárias têm inviabilizado as tentativas de entendimento. Isso é egoísmo político, pois para mim a solução política da Marinha Grande passa inevitavelmente por reunir consensos entre forças partidárias e logo a seguir obter compromissos estratégicos subscritos por todos. Consensos e compromissos. Não tem muito que saber. Mas os donos das quintas partidárias nunca vão entender isso. As suas agendas sobrepõem-se aos interesses da Marinha Grande.


Seguir
( 5 Seguidores )
X

Seguir

E-mail : *

Comentar com conta do Facebook

comentario(s) no Facebook

7 Comentários

  1. Expliquem-me quem e este individuo, que nunca ouvi falar nele e sou filho desta terra à 72 anos, e pelo que li não dá uma para a caixa o melhor para ele é ir tabalhar e deixar-se de politiquice baloufa como os outros de quem fala.

  2. Ó Quim Rosa Alexandre este individuo foi candidato nas eleições e tu nunca o viste?! Então deves ser daqueles que tem duas palas e vota sempre no mesmo.

  3. A politica está podre. Se o que este gajo diz é a verdade então os partidos são um antro de galos á luta pelo puleiro.

    • Caro só mais um…

      Não me diga que não sabia! Haverá quem vá para os “poleiros” , como diz, por dever, por missão e por querer participar na construção de um país novo.
      Mas são muitos mais, aqueles que querem um “trampolim” para outros voos!
      Disso, não restam duvidas!

Comentários estão bloqueados.