Opinião que conta

CuriosoTelmo11 Comentários


Que avaliação faz do actual executivo socialista na Câmara da Marinha Grande?

Tenho uma visão de Autarquia que é diferente dos processos autárquicos que se têm vindo a desenvolver na Marinha Grande. Desde os mandatos de Álvaro Órfão nunca mais existiu uma Autarquia com sentido de governo local. É uma Autarquia que vai gerindo os problemas que vão acontecendo sem sentir que governa o território e que tem de ter atitudes pró-activas. Sem deixar de pressionar o Governo Central, para lhe dar as condições essenciais, tem de governar sem ser pedinchona. Tem de governar com projectos próprios que possam ser credíveis, de forma a que o Governo lhe dê condições para os executar. Falo mais daqueles que me preocupam – sendo eu fundador do Partido Socialista, sou mais crítico dos meus – mas outros também fizeram coisas más, ou nem fizeram. Além disso, hoje uma Autarquia não se governa ficando apenas dentro dela. Uma Autarquia governar-se conhecendo o mundo. E, neste momento, como nos últimos mandatos, a Autarquia foi governada sem saber o que se passava no mundo. Isso prejudicou-nos. Isto, independentemente de eu considerar que todos eles são empenhados, que trabalham bastante e fazem o melhor que podem para dar resposta às necessidades da população.

Não se refere apenas aos vereadores socialistas.

Dentro da Câmara, sejam os vereadores que venceram as eleições sejam os vereadores que saíram como oposição, todos são executivo.  E um executivo tem de pensar em todo o território e não apenas no seu partido ou no seu movimento.Isso também não acontece. Há um amigo meu que utiliza esta expressão e eu concordo em absoluto: “isto não basta falar, é preciso pôr o pescoço no cepo”. E há um movimento que diz por aí “se fosse eu faria melhor”. Então que faça melhor. Que ajude a que se faça melhor. A minha crítica não é só para quem venceu as eleições, mas para o conjunto. Na Marinha Grande o PS não tem maioria na Câmara e, para que se possa governar melhor, mostrou-se disponível para entregar pelouros à oposição. No caso ao PCP, que é o segundo partido. O PCP pura e simplesmente rejeitou. E isso não é ter sentido de responsabilidade na governação de um território. E com o avançar do mandato estão a agravar-se as dificuldades de governação, porque as oposições julgam que quanto pior fizerem, melhor é para si.

Muitos defendem que este Município não tem sabido acompanhar, na cultura, na saúde, no turismo, a dinâmica empresarial. Concorda?

Concordo. Não em absoluto, mas genericamente concordo. Não é só agora, não é só este executivo. Constato que não tem sido um interlocutor constante e não tem sido um seguidor da grande inovação, do grande empenho e do grande desenvolvimento que alguns sectores têm na Marinha Grande, como por exemplo o de moldes e o de vidro de embalagem.

Não tendo capacidade para acompanhar, tem pelo menos apoiado?

Se não apoiam mais não é por finca-pé. É porque vai funcionando assim e vai funcionando bem, e pronto. Mas gostaria muito que esta Autarquia fosse mais lesta a tratar do problema da zona industrial e do problema gravíssimo de circulação de camiões dentro da cidade, mais lesta a tentar, com outras autarquias, que a Linha do Oeste seja requalificada, mais lesta até na intervenção nas praias, nomeadamente em S. Pedro de Moel.

O que seria diferente com Telmo Ferraz à frente da Câmara?

Seria diferente, porque eu não iria para a Câmara para manter as posições da orgânica da Câmara. Eu iria necessariamente enfrentar o ‘deixa andar’ que em muitos casos se vê na Câmara. Poderia resultar ou não. Não sei se seria eu a vencer ou os directores e toda a orgânica. Mas não estaria à espera que as coisas acontecessem. Tenho um estilo diferente. Talvez fosse mais dialogante, mais congregador, talvez escolhesse técnicos que me pudessem ajudar no que a Câmara mais precisa, que é prestar um serviço de excelência aos munícipes.”

In Jornal de Leiria


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11 Comentário em “Opinião que conta”

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    Mas alguma vez, em alguma circunstância foi concretamente oferecido algum plouro a terceira força mais votada!?!?
    É a oportunidade de meter a prova quem diz que ” conosco sería diferente”!
    Ou será que tem medo de que a eventual competência se sobressaia ao actual marasmo????

  2. Avatar

    Que entrevista estranha no que respeita à politica marinhense.
    Reconhece a incapacidade dos que representaram o PS desde Álvaro Orfão. Depois atribui a culpa de não governarem à oposição a quem a Cidália não atribuiu pelouros. Que falta de lógica.
    Ele sabe bem que a Cidália faz que quer atribuir mas todos sabemos que não quer. Desrespeita permanentemente os seus pares no executivo que não têm pelouros, não lhes respondendo, ocultando informação ou mesmo mentindo.
    Ó Telmo ponha mão na consciência e seja sério em termos politícos tal como é na sua vida privada.

    1. Avatar

      Muito bom comentário.
      Quem lida de perto com o Telmo revê-se completamente no que escreveu este anónimo.
      Há 2 Telmos que devem estar em conflito permanente.
      Um pensador lógico e sério e outro fanático e dogmático sem lucidez.

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    Mas este senhor não foi Presidente da Assembleia Municipal nós dois mandatos anteriores?

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    O Telmo não quis fazer uma crítica mais contundente e percebe-se porquê…ele é do PS desde sempre…e ainda á poucos dias a Cidália visitou a sua empresa, é difícil ser coerente nestas condições.

    1. Avatar

      Que confusão deve haver naquela cabeça.
      A entrevista é simplesmente a revelação de que pensa uma coisa, tem feito outra coisa e ainda diz outra.
      Que se fique como empresário e não borre mais a escrita.

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    Ele disse tudo e fez uma grande e direta ao PS, só não perce quem não quer perceber ou não sabe ler

  6. Avatar

    Que estranho. Se pensa assim o que andou a fazer na campanha eleitoral atras da Cidália??

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