Lido por aí CXL

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“Carta aberta ao Sr. Presidente do ICNF: Incêndios no Pinhal do Rei – day after

CC:
Presidente da República
Primeiro-Ministro
Ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural
Secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural

Exmo. Sr. Presidente,

Como alguém com sentido de responsabilidade afirmou: “o incêndio do Pinhal do Rei não era uma inevitabilidade…era algo impossível de acontecer, fomos ineptos e incompetentes… agora que ocorreu, ambientalmente é uma catástrofe, economicamente é um desastre, socialmente é uma tragédia”.

Numa visita do Sr. Primeiro-Ministro António Costa à Marinha Grande este afirmou que “os incêndios de 15 de Outubro não foram por acaso”. Todos nós, marinhenses, sabemos disso. Por esse motivo, na (única) reunião que o Sr. Eng.º Rogério Rodrigues teve com todo o executivo do Município de Marinha Grande (em 8 de Janeiro último) onde, como vereador, estive presente, questionei de quem era a responsabilidade. O Senhor disse-me que a responsabilidade era do Estado a quem compete a gestão das Matas, ou seja, ao Primeiro-Ministro, ao Ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural e também ao ICNF (a Câmara sempre entendeu que as Matas não lhe diziam respeito, por não deter a posse do território em apreço).

Ouvi o Sr. Primeiro-Ministro dizer que a “Mata é dos marinhenses”, não assumindo responsabilidades pela perda. O Sr. Ministro da Agricultura Capoulas Santos disse que “a gestão das Matas era adequada”. Assim sendo… e agora sem pinhal, era de esperar que algum destes responsáveis viessem assumir que não foram competentes e pedir desculpa aos marinhenses.

Como se recordará, na referida reunião, o Sr. Engenheiro perguntou se eu achava que se devia ter demitido. Falei-lhe da sua consciência e ficámos por aí.

Focámo-nos então no que havia (e há) a fazer, sem me referir à reflorestação (por agora), deixei três pedidos especiais:

a) Proceder ao corte prioritário das árvores em risco de queda localizadas na zona que se situa entre a Ponte Nova e o Canto do Ribeiro, para que se possa abrir essa estrada e possamos ter liberta a iniciativa de impacto regional denominada “a volta aos sete”. Como limite a abertura tem de ser feita antes de 10 de maio (quinta-feira de Ascensão) de modo a permitir os piqueniques aos marinhenses e posterior passagem do Rally Vidreiro.
Esta foi uma zona que felizmente o fogo não quis queimar, por isso, não há pinheiros ardidos, consequentemente, não se se afigura a exigência de segurança das pessoas. As árvores que existem em risco de queda, já se reportam ao temporal de 2013, ou seja, o Sr. Engenheiro teve cinco anos para as mandar cortar e, até ao momento, ainda não o fez. Aproveitou o incêndio na restante mata para fechar esta estrada e eu fiz-lhe este pedido com cinco meses de antecedência.
b) Intervenção na área envolvente à Zona Industrial, denominada Mata do Casal da Lebre. A preocupação de abrir uma faixa de proteção com 100m a sul e a poente da ZI e a oportunidade do INCF disponibilizar terrenos para que a Zona Industrial possa crescer, adquiridos, a preços justos de mercado.
Recordo-lhe que falei sobre o perigo resultante do pinhal envolvente à ZI, tal como os membros da Assembleia Municipal da Marinha Grande. Na circunstância assumiu que seria aberta a faixa até final de Abril. Até hoje, Sr. Engenheiro, este problema ainda não foi resolvido, a legislação em vigor não está a ser por vós cumprida. Este trabalho ainda está por fazer.
A necessidade do Município adquirir os terrenos da Mata do Casal da Lebre, propriedade do ICNF, para que a ZI cresça. Isto é uma evidência, pois, apesar de ouvirmos o governo a dizer que precisamos de crescer em indústrias de ponta (moldes e plásticos), a Marinha Grande não tem espaço para receber novas empresas e está perante a fuga das empresas que cá estão, porque pretendem crescer e não têm para onde.
c) Limpeza e manutenção das áreas não ardidas (prevenção). Uma das missões do ICNF (relevo que tem no nome “conservação”) é a limpeza e a manutenção das Matas. O Pinhal do Rei ardeu 86% e continuamos a assistir a um desprezo deste território, não há sinais de investimento, de preocupação e de uma ação estruturada de limpeza, manutenção e prevenção daquilo que ainda nos resta.
Não basta dizer que não limpa porque são dunas primárias, para proteção, porque do lado nascente, junto às casas, não há dunas. Veja-se a zona entre Pedreanes e a EN 242-2 para S. Pedro de Moel (passa no Parque das Merendas). O pinhal não ardeu, tem mato com metros de altura e o Sr. Engenheiro (ainda) não mandou limpar.

Reconheça que nada fez do que os marinhenses esperavam. Se a Mata é dos marinhenses dir-lhe-ei que nos espoliaram 2 milhões de euros por ano, durante 25 anos, reinvestindo praticamente nada. Recentemente ouvimos o Sr. Engenheiro dizer que, se não tivesse ardido, era mesmo, mesmo, agora, que tínhamos 1,6 milhões de euros para investir !!!!

As despesas atuais, apesar da responsabilidade do ICNF, têm sido assumidas por privados. Recordo-lhe que foi ainda a Câmara, com dinheiro dos impostos dos marinhenses, que pagou mais de 110.000,00€ em sinalética e blocos de betão para fechar as estradas. Se tem realmente esse dinheiro e já que a Sra. Presidente da Câmara Municipal da Marinha Grande não o fez, eu, como vereador, EXIJO que reembolse de imediato a Câmara. Não o fazendo, vamos continuar a ouvir o ICNF e o governo a dizer (e agradecer) os bons serviços deste Município. Pudera!

O ICNF, e o Sr. Engenheiro nas responsabilidades que tem como presidente, tem que tomar decisões, tem que ter autonomia, tem que ter meios, tem que sair da inacção, tem que demonstrar competência, tem que revelar responsabilidade, tem que ter capacidade para implementar a missão do ICNF e, por isso, tem que arranjar forma de proteger o Pinhal de Leiria.

Caso contrário, os marinhenses merecem respeito, a sua única saída é demitir-se da presidência do ICNF.

Atentamente,

O Vereador da Câmara Municipal de Marinha Grande

Aurélio Ferreira”


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7 Comentário em “Lido por aí CXL”

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    A Cidália encolheu os ombros depois de ler no facebook! Mais uma para a campanha. Veremos na quinta feira o piquenique do PS na mata!!

  2. Vilas

    Até concordamos com a generalidade do teor da carta, mas cremos que podia e deveria ser mais enérgica! Na província temos o mau habito de nos “agacharmos perante o Terreiro do Passo”!
    Ora, isso não deveria acontecer!
    Pagamos imposto de igual, não podemos (e não devemos), ser tratados com desprezo! Geriram mal a nossa mata. Desinvestiram em tudo, desde o pessoal … na protecção, na manutenção… em tudo! Mas fizeram mais… ficaram com o dinheiro das vendas da madeira e da resina! E não será sido tão pouco como isso. Ou terá, pois teve que ser a CMMG a pagar os “jerseys” (vulgo, blocos de cimento), para vedar as estradas, porquê, não tinham dinheiro! Só pode…

    No entanto e se nos é permitido, não concordamos quando diz que o ICNF deverá ceder terrenos a preços de mercado, para alargamento da ZONA INDUSTRIAL, terá que os ceder a preços ..simbólicos! Já chega o dinheiro que retiraram (para não dizer um palavrão), das matas.

    A MARINHA (E A MATA), é nossa!

  3. Avatar

    Este acordou agora… já plantou os pinheirinhos mais os betinhos dos rotários e agora vem armar-se aos cucos. Nunca o vi ao lado da população neste e noutros combates que a Marinha precisa. Vá lá escrever cartas ao Pai Natal. Queremos é gente séria e de acção.

  4. Avatar

    Só falta a Cidália fazer uns bolinhos de pinhão e oferecer ao Costa em troca de uns abetos franceses! Tudo o resto ela já fez. Não sei o que esperam mais da senhora professora…

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    Muito bem, já que quem o devia fazer,não fez,acho muito oportuna esta iniciativa da oposição!

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