Matas

Pela descrição que surgiu há dias no ‘Observador’, o monumento que está a ser feito para assinalar o incêndio deverá ter “na primeira moldura gigante” onde “surgem silhuetas carbonizadas numa posição invertida, percebendo-se que são elementos vegetais” e “na base terá um triângulo, que é o ponto de ignição e vai estar permanentemente iluminado como se fosse uma brasa incandescente”. Depois terá «uma outra moldura, do mesmo tamanho, “apresenta-se vazia e inclinada, totalmente carbonizada, numa situação de expectativa em relação ao futuro”, adiantou, satisfeito por ter sido manifestado “entusiasmo pela peça, sobretudo pela sua dimensão dramática”» e “a peça vai ter no topo a inscrição ‘in memoriam’ e na parte inferior Marinha Grande e a data do incêndio”. Será isto. E é nesta parte que se fica por perceber porque motivo se está a gastar dinheiro para fazer um memorial quando basta fazer meia dúzia de quilómetros para passarmos a ter um memorial ao vivo. Qual a necessidade de se estar a gastar tanto dinheiro num memorial que nada irá trazer à população que não tenham já sempre que passam pelo pinhal queimado? Até entendemos que se possa ajudar os artistas plásticos que são naturais aqui do concelho e que se possa querer fazer um figurão com uma peça do mesmo autor que fez o coração gigante em Fátima, mas não conseguimos perceber porque se opta por um memorial aos incêndios e não um aos que andaram a combate-lo. Há dinheiro, há que gastá-lo mesmo que seja em coisas inúteis.


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7 Comentários

  1. Não sou contra a construção de obras de arte, antes pelo contrário…mas esta parece-me evidentemente…desnecessária! Não pela verba que o município vai dispensar, pois ao que se sabe, dinheiro é coisa que não falta nos cofres da autarquia. Daí à que o pôr ao sol, além de que se alguém o gasta, há sempre alguém que o ganha.

    Desnecessária porque a poucos metros do local para onde está prevista a sua edificação, temos um “monumento vivo” que se deverá manter por um século. Daqui a um século as gerações vindouras lembrar-se-ão tanto como a actual geração se lembra (ou sabe quem é), por exemplo Guilherme Stephens

  2. Fernando Crespo é incontestavelmente um grande artista com muitas provas dadas e confirmadas no País e no estrangeiro, a quem os detentores do poder cá do concelho têm ignorado. Não é de admirar, santos da porta não fazem milagres. Grande abraço, Fernando!

    • Não pomos em causa o artista plástico e a sua qualidade. O que nos parece discutível é fazer-se um memorial com 12 metros de altura a uma tragédia, esquecendo os que andaram a combater o ‘monstro’.

    • Há tanta coisa que deveria ser prioritária, o incêndio ocorreu há menos de meio ano e já se fala em memorial como se fosse algo urgente; entretanto estradas e o mercado são assuntos adiados ou mesmo esquecidos…. não dá para perceber!

  3. Finalmente a homenagem desbotada ao orgulho gay irá dar lugar a uma obra de arte que promete ser digna dos Marinhenses. Ou não é para a rotunda do Forum junto às Finanças?

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