18 de Janeiro, quão longe estás!

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Celebra-se amanhã a revolução do 18 de Janeiro. Não vamos repetir tudo o que já foi escrito sobre a revolução, os seus efeitos e tudo o mais que aconteceu. Nem sequer nos sentimos habilitados a fazê-lo depois de tantos, bem mais conhecedores, terem escrito tão bem e tão melhor sobre o que aconteceu. Vamos apenas lembrar o que já fomos e o que hoje somos. Já fomos a vila que era falada em todo o lado porque era cá que ocorriam as cargas policiais. Fomos falados porque não ficávamos calados quando algo não estava bem. Éramos uma vila que tinha gente que, perante as cargas policiais, davam as costas para que eles não batessem numa mulher indefesa. Éramos uma vila que tinha gente que escondia os jornais do Avante em buracos dos tijolos para que os pudessem distribuir quando fosse possível. Éramos uma vila que tinha gente que não se calava e que lutava pelos seus direitos. Éramos um povo esclarecido e que não se limitava a escrever nas redes sociais ou nos blogues. Éramos tão mais do que somos hoje. Hoje somos brandos, complacentes e acomodados. Não reclamamos junto dos que erram. Não exercemos a cidadania. Não temos dirigentes dos partidos que assistam às reuniões de câmara. Não temos pessoas competentes a mandar, mas não reclamamos, não escrevemos no livro de reclamações nem sequer nos damos ao trabalho de irmos às reuniões de câmara para que os que foram eleitos sintam que há quem esteja atento. Começamos por todos aqueles que aqui escrevem. Estamos confortáveis à frente de um computador a escrever, sem que nos dirijamos àqueles sobre quem aqui escrevemos para reclamar. A revolução que amanhá se celebra deixou, muitas gerações depois, um grupo de cidadãos que se conformam com o que lhes é dado, quase que agradecendo a esmola que os que mandam vão dando e esquecendo os direitos que têm. 84 anos depois somos uma vila de gente mansa, tão diferente daquela que existia e que deu origem ao orgulho de se dizer que éramos ‘Marinhenses’. Se as gentes que há 84 anos fizeram a revolução aqui voltassem por certo que se envergonhariam daquilo que aqui deixaram. Saibamos honrar os que lutaram não apenas nas celebrações do dia, mas em todos os dias do ano, exigindo aquilo a que temos direito. Essa será a melhor, diríamos única, forma de homenagear os que lutaram.


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