CMMG

Sempre vivemos pelo lema se que mais vale decidir mal do que não decidir. O que agora afecta todos os que aqui vivem é resultado de não se decidir, ainda que mal. O pinhal ardeu. Era previsível? Óbvio que sim. Alguém fez alguma coisa para evitar? Claro que não. Os que mandam nada fizeram. Hoje, no rescaldo, os que foram eleitos dificilmente conseguirão dormir com consciência tranquila. Fizeram o que podiam? Não! Hoje assiste-se a ‘manifestações’ marcadas para o fim de semana. São uma forma de limpar um pouco da consciência pesada que existe por parte de todos os que maltrataram o pinhal ao longo dos anos. Mas que fizeram os eleitos? Da parte do governo central pediram um estudo. Aprendemos há anos que quando não se quer fazer nada, encomenda-se um estudo. Se é o caso ou não, veremos. O que esta situação mostra é que os eleitos, centrais e locais, são amadores que vão tentando desenrascar os problemas que vão surgindo. O problema do pinhal era conhecido há muitos anos. Que fizeram os eleitos para minimizar o que hoje está aos olhos de todos? Leiam as actas. Não vão encontrar muito! Há anos que escrevemos que se para se se médico se tem que ter habilitações especiais, para mandar numa autarquia ou num qualquer organismo deveria haver requisitos mínimos. Tivemos nos últimos anos um bancário, um professor do secundário, um farmacêutico, um funcionário de secretaria de escola e iremos ter uma professora primária. Qualificações excelentes para governar um concelho. O resultado está à vista. O Vicente pedia no Domingo, na TV, que viessem meios. Gastaram-se 15 mil euros num parecer para desculpar os erros da Resinagem. Pagaram-se 150 mil euros de indemnização por erros de gestão… quanto mais se pode apurar? Muito! Quantos meios se poderiam ter adquirido para os bombeiros com esse valor? Uma viatura? Duas? Os eleitos, que fazem da politica um hobbie, não podem deixar de ser responsabilizados por o que não fizeram. Poderá dizer-se que na mata nada se poderia fazer. Sim, é verdade. Não cabe a eles mandar na zona das matas. A Isabel tentou e foi o que se viu. Mas poderiam ter feito mais? Sem dúvida. Nestes dois dias em que, finalmente, a radio local cumpriu a sua função, os eleitos falarem, fizeram directos e quase pareceram ser jornalistas. Mas que fizeram nestes 4, 8 ou 12 nos que andam pelos corredores da politica? Não têm poder para agir na zona das matas? Convocavam a população, convocavam a imprensa, as televisões e, quiçá, alguma coisa seria diferente. Amanhã o Costa deve aí aparecer para ver o resultado da incompetência do Estado, mas será que se irá lembrar da viagem que fez até S. Pedro quando lá foi comer, e do estado que estava o pinhal? Será que se irá lembrar de alguma coisa, se alguma, que lhe terá sido dita sobre aquilo que era necessário se feito? Os eleitos, porque amadores, fazem o que sabem, mas nesta altura há uma questão que não se pode evitar: estarão à altura dos cargos para os quais foram eleitos?


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5 comentários

  1. Então quem é que estará há altura para ocupar o lugar de Presidente da Câmara? Pelo post aqui enviado não existe ninguém com capacidades! Será necessário fazer alguma formação profissional para ocupar esse lugar? Infelizmente aconteceu o que era esperado já há muito tempo, era um dó ver em que condições se encontrava a nossa Mata. Agora já se vai tarde! Como o povo diz ” depois de casa roubada trancas há porta”

    • Caro Zé Povinho. Possivelmente ninguém, sem formação, terá capacidade. O responsável pela protecção civil concelhia é o Presidente por inerência do cargo. Que sabe o actual ou a futura Presidente de coordenação de meios de protecção civil para poder ser quem manda? Terça deverá tomar posse, mas dar-lhe-á a posse algum conhecimento acrescido em relação ao que já tem? Já antes escrevemos que há muitos anos para se ter um isqueiro era necessário licença, até para andar de bicicleta era necessário ter licença. Não queremos voltar ao passado, mas hoje para se mandar numa autarquia, no país basta apenas convencer alguns votantes que nem sequer questionam as qualificações de quem está a concorrer para o desempenho do cargo. Na nossa opinião seria necessário que os autarcas tivessem obrigatoriamente formação especifica em determinadas áreas. Mais do que a câmara ter técnicos para tudo e mais alguma coisa, é necessário que quem manda neles, os eleitos, sejam pessoas que sabem daquilo em que têm que mandar sob pena de ficarem à mercê dos que sabem e mandam, quantas vezes mal. O mal está feito, mas não há que esquecer o que poderia ter sido evitado. A Isabel afrontou o ICNF quando quis resolver um problema e foi ameaçada com a presença da polícia. Foi além das suas competências? Sim, sem dúvida. Fez bem? Claramente. É disso que precisamos. De autarcas que não sejam meros ‘yes man’ e que tenham medo da própria sombra. Quem tem passado pela câmara não tem tido capacidade nem coragem para afrontar o poder central nem sequer de afrontar o ICNF. Mandar uns ofícios, uns emails não basta, como hoje está à vista de todos.

      • Tudo bem! Mas se não fosse esta tragédia não despoletava a falta de capacidade dos nossos autarcas! É verdade que não queremos voltar ao “passado”, mas pelos vistos ainda não saímos dele. Veja-se o que aconteceu nas últimas eleições, votaram na continuidade, não foi! Também não será agora que vão enfrentar o poder central para exigir alguma coisa não acha?

      • Caro z (presumimos seja Zé povinho). A falta de competência dos nossos autarcas tem estado à vista de todos. Porque acha que escrevemos? Porque acha que continuamos a ter matérias sobre as quais escrever? A falta de capacidade era há muito conhecida. Agora ficou à vista de todos. Quando criticávamos e criticamos os que mandam pelo que fazem mal, ainda somos nós os que são criticados como se o que escrevêssemos não fosse apenas a verdade. O povo votou na continuidade e o voto do povo é sagrado, mas isso não significa que tenhamos que achar que quem foi eleito passou de repente a ser competente. Temos sérias dúvidas que alguma coisa vá mudar ou que ganhem a coragem de afrontar o poder central. Se nem a própria casa conseguiram arrumar durante os oito anos que estiveram no poder, não será agora, com as mesmas pessoas, que alguma coisa irá mudar. Esperamos, no entanto, que estejamos profundamente errados e que a futura Presidente se transforme numa agradável surpresa. Cremos, no entanto, que será mais fácil calhar-nos o Euromilhões e nem sequer jogamos!

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