O dia acabou

Curioso18 JaneiroDeixe um comentário


Somos uma terra de gente de luta. Assim foi em 34 e assim foi nos anos que se seguiram, desde as manifestações dos vidreiros, aos cortes estadas, às cargas da polícia. Somos uma terra onde um punhado de gente tem o orgulho de poder dizer que lutou contra o fascismo, que envergam as marcas da prisão com orgulho e que sentem que os seus antepassados foram parte do que a história, a oficial, se esquece de ensinar. Somos uma terra onde os que sofreram para que hoje possamos escrever sem que a censura – que alguns parecem querer impor – passe um lápis. Somos a terra onde alguns dizem que vivem, quando convém, mas aquela que muitos diziam que nela não viviam porque isso lhes dava a marca de viveram na «terra dos comunas», como se isso fosse uma marca indelével. Somos tudo isso e muito mais, mas somos a terra onde, até à pouco tempo, sentíamos que todos lutavam para um bem comum. Não podemos dizer que hoje sentimos isso. Não sentimos. Mercê de uma governação semi-bicefala, a terra está dividida. Hoje sentimos isso mais do que nunca! Os que nos governam não conseguiram o que parece ser simples, numa terra onde as gentes sempre se uniram para lutar por um bem comum, de fazer o que noutros locais era impensável. Mas não podemos dizer que a culpa esteja apenas do lado dos que gerem a câmara. Também do lado da oposição sentimos que não há um rumo. Nesta matéria a ‘oposição’ não pode ser generalizada e tem, necessariamente, que ser centrada no partido que tem feito a alternância no poder. Não há ali também um rumo que possamos dizer que reconheçamos. Não há. PS e PCP têm ‘governado’ a terra como bem lhes interessa e não conseguiram a simples tarefa de organizar o dia que assinala a luta da classe operária com consenso. Foi um para cada lado. Esta não é a terra em que crescemos e não é a terra com a qual nos consigamos identificar. Ambos falharam e não é de estranhar que os que são chamados a votar não sintam esse apelo quando vêem que depois cada partido faz o que quer, sem que consigam fazer o mais simples. Poderá dizer-se que temos o que merecemos, mas seguramente que merecemos mais do que os que decidem fazem. A menos de nove meses das autárquicas e depois do que hoje assistimos, se tivermos apenas que contar com o PS e PCP para definir o futuro do concelho sem que haja grandes mudanças, estamos mal.


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