Lido por aí XLVIII

Categoria Constâncio, Escola by Curioso2 Comentários


“CENTROS EDUCATIVOS
A RAZÃO DE UM DIVÓRCIO ANUNCIADO
Num tempo em que não existia rede de transportes municipais, em que as crianças não tinham acesso a cantinas escolares, em que as famílias não dispunham das facilidades de transporte próprio como têm hoje, a Câmara da Marinha Grande, presidida por Emílio Rato, tinha, como vereador da educação, o saudoso Professor Veríssimo, que prematuramente nos deixou.
Por iniciativa da Autarquia, liderada pela CDU com maioria absoluta e sobre a orientação de um dos melhores vereadores da educação de sempre, foram construídos dois Centros Educativos, um no Casal do Malta e outro na Várzea, inspirados no modelo sueco, que se revelaram estruturas educativas de grande sucesso, que desde a primeira metade da década de 80 do século passado, continuam a justificar o apoio dos pais e da comunidade escolar e a revelar um índice de eficiência acima da média.
Com algumas alterações que as boas práticas recomendam e com o capital de experiência adquirido, os tão falados Centros Educativos, diabolizados na arena da disputa política, já existem desde 1984/1985, pelo menos no conceito, se a memória me não atraiçoa.
Ao observar, com o olhar de quem se deseja afastado da luta política, não posso deixar de manifestar a minha opinião sobre este assunto, porque reclamo para mim a experiência de ter sucedido ao Professor Veríssimo na gestão do pelouro da educação, de 1986 a 1989 e de 1994 a 1997, ano em que, resultado de uma folgada maioria absoluta e entrada em cena de novos protagonistas, me vi empurrado para fora das áreas de intervenção, que, como autarca, sempre reclamei, ou seja, a Educação, o Desporto e a Cultura, interrompendo um ciclo de profundas melhorias no parque escolar e uma relação frutuosa e cordial com os professores.
Na verdade, apesar de saber que alguns amigos meus que muito estimo, estão fortemente empenhados nesta cruzada contra os Centros Educativos, eu não consigo perceber onde se sustenta a argumentação utilizada.
É fácil instrumentalizar os pais e as comunidades locais, se lhes disserem que vão afastar os seus filhos da escola e do bairro em que eles próprios estudaram, fechar a escola e com isso retirar competências e importância aos lugares onde residem.
É fácil conseguir a oposição dos professores, se a mensagem que se lhes passa, é a de que a melhor rentabilização destes equipamentos pode vir a provocar despedimentos.
É minha convicção, que se for explicado aos pais das crianças que estudam em escolas com uma ou duas salas, que para almoçarem têm de se deslocar para outras escolas com cantinas, em fastidiosas deslocações em autocarro, retirando tempo para brincar nestes intervalos, que o que se pretende é disponibilizar transporte à porta de casa ou muito perto, para ir e voltar a um espaço escolar, onde para além de se irem relacionar com centenas de outras crianças, lhes é disponibilizado um espaço de recreio bem equipado, salas com fonoteca e videoteca, cantinas onde podem tomar as suas refeições, libertando tempo para brincarem, onde se podem criar espaços para as artes, pintura, teatro, música e também para o desporto, eles, pais, certamente reconhecerão que o que define a proximidade não é a distância até à velhinha escola, mas a facilidade e conforto como se garante a mobilidade em autocarros que podem utilizar.
Ao contrário das campanhas e dos cartazes, que passam uma mensagem populista, ao arrepio de políticas educativas que já foram bandeira dos partidos que as promovem, a luta deveria ser pela exigência da garantia dos postos de trabalho de todos professores colocados nas escolas actuais, reduzindo o número de alunos por turma e acrescentando valências ao programa curricular, como a música e o inglês.
Neste caso, o divórcio não foi por adultério ou violência doméstica e talvez se explique pelo tacticismo político que está presente em cada frase com que se redigiu um acordo onde não se descortinam ideias e conceitos de desenvolvimento estratégico sustentado, quer para a educação, quer para a cultura, quer para o desenvolvimento económico, sendo que este deve ter como alicerces, exatamente, a educação, a cultura e o conhecimento.”

Autor: Armando Constâncio


Seguir
( 0 Seguidores )
X

Seguir

E-mail : *

Comentar com conta do Facebook

comentario(s) no Facebook

Comentários

  1. Avatar

    Estão a fazer com os Centros Escolares, aquilo que fizeram, há época, com o mercado do Atrium, não sei se ia funcionar bem ou não, mas nem deram oportunidade de o experimentar, o que sei é que o mercado da Resinagem não tinha quaisquer condições para funcionar. NESTA TERRA É A POLÌTICA DO BOTA ABAIXO.

  2. Ernesto Silva

    No momento de falta de investimento publico pelo castigo do governo da PAF de Passos e Portas e desconhecendo os marinhenses a que projectos se candidatou para os fundos europeus do 20/20 e como as arcas estão cheias pelo saque a tudo o que meche ma Marinha, seria de todo o interesse fazer uma escolha das prioridades e não terem começado pelo alcatrão. Aliás além da Câmara existe a Junta de Freguesia que deveria ter uma maior distribuição de fundos para também auxiliar numa altura de tanta azáfama. Mas eles não querem nem pretendem visibilidade à Junta. Lamenta-se que andem de costas voltadas com toda a gente que também foi eleita. Assim começaria por pôr em funcionamento a creche da IVIMA que tanta falta faz às mulheres que trabalham e tem crianças pequenas. Não se compreendem tantos dias, meses ou anos para colocar em funcionamento uma obra indispensável. Passaria pelo acabar do amianto nas escolas da Marinha. Estudaria a imediata substituição dos canos que transportam o líquido tão precioso que é a água para as n/ casas. Deveria ser apresentado um levantamento das zonas da Marinha sem saneamento porque é uma falta de respeito para com os humanos que não tem culpa de tanta burrice. Pensar não custa dinheiro e a procura de nova zona industrial é fundamental para o desenvolvimento local e para a criação de mais emprego. Estas necessidades aõ prioritárias para toda a população.

Deixe um comentário

  
Please enter an e-mail address