Lido por aí XXVII

CuriosoCMMG, Nelson6 Comentários


Na passada semana alertei para, no contexto de uma plena democracia, a necessidade de se ultrapassarem divisões supérfluas e vãs e se alcançarem consensos na defesa dos superiores interesses do Município e dos Munícipes. Afirmei também que, em democracia, compete a quem lidera o executivo dar o primeiro passo nesse sentido, chamando a oposição a tomar parte nos processos e tomadas de decisão, assumindo cada uma das partes a responsabilidade que lhe cabe. Recordei ainda que a Oposição não pode ser de mero bloqueio, destrutiva, mas antes deve assumir um carácter construtivo e assim predispor-se ao diálogo e à concertação. Nenhuma negociação parte do zero. Nenhuma negociação termina bem quando se pretende que apenas uma das partes saia vencedora. Uma negociação só resulta quando todas as partes interessadas saem a ganhar e, sobretudo, quando em causa está o Bem Público, quando saem a ganhar o Município e os Munícipes.
As reuniões de Câmara deveriam ser, por excelência, esse espaço de diálogo, de negociação e de construção de consensos. Não deveriam ser, como são, meras encenações de teatro político onde cada um cumpre o seu papel, segundo um guião próprio, onde ao invés da discussão, do diálogo e da concertação, o que se procura é alimentar o próprio ego, numa sucessão de monólogos entediantes, pouco clarificadores e pouco dignificantes do exercício da Política. Prova disso, são as declarações de voto feitas em casa, publicadas nos jornais e nas redes sociais, ainda antes do decorrer da própria reunião. Zelo e empenho, dirão uns. Demagogia e falsa disposição para o diálogo, digo eu.
A última reunião de câmara, particularmente, tendo sido à porta fechada, não deve ter fugido muito a este melodrama. Por ter sido a reunião de discussão da revisão ao Orçamento deveria ter sido aberta e amplamente participada pelos Munícipes, para aferirmos verdadeiramente do papel que cada um dos Eleitos ali representou, uma vez que o que cada um vai agora publicitando é um juízo feito em causa própria.
A única verdade é que do executivo não se pode esperar outra atitude que não seja a de tentar mostrar obra feita, projectos realizados, boas intenções (ainda que se possam questionar os timings), mas será assim tão legítimo que a Oposição, sem outro argumento de fundo que não seja a demagogia eleitoralista, impeça o normal funcionamento da Autarquia?
Estou convicto de que com um voto de abstenção a Oposição teria dado um contributo mais válido para o Município e os Munícipes, porque não impedindo o normal funcionamento da Autarquia deixaria por inteiro ao executivo o ónus de demonstrar, ou não, a sua capacidade para servir os interesses do Município neste curto espaço de tempo até às próximas eleições, momento em que quem de direito, o Povo, fará o Juízo Final sobre uns e outros. Seria o meu sentido de voto se estivesse nesse lugar!
Ao votar contra, com as nefastas consequências que acarreta para o município, a oposição quis substituir-se ao Povo, quis sobrepor a sua vontade à vontade popular e, sem eleições democraticamente disputadas, quis, na prática, destituir o executivo de qualquer capacidade para governar, o que não está longe de configurar um «golpe de estado» local.
Acusam o executivo de se fazer de vítima e no entanto são eles próprios quem mais razões dão ao executivo para se assumir como vítima. Acusam o executivo de não defender os interesses do Município e no entanto são eles próprios que, neste momento, se constituem como principal bloco de oposição ao desenvolvimento local.
A única certeza que temos hoje é que a revisão ao orçamento foi chumbada, com 4 votos contra (MpM, PCP e +C) e 3 votos a favor (PS e PSD). O futuro da Marinha Grande foi uma vez mais adiado, e hipotecado, em nome de outros valores…
Mas, ao contrário do que se diz, mais do que uma derrota do executivo ou do Partido que o sustenta quem saiu verdadeiramente derrotado foi o Povo Marinhense.
E a responsabilidade, essa, também não é apenas do executivo ou do Partido que o sustenta. É de todos! Em primeiro lugar, de todos os eleitos e dos Partidos e Movimentos que os sustentam, mas também é de todos nós que continuamos sem perceber qual o nosso verdadeiro lugar e papel no exercício pleno da Cidadania.

Autor: Nelson Araujo

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6 Comentário em “Lido por aí XXVII”

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    Está armado em pessoa com bom senso.
    Esta palavras não correspondem aos actos e a outras palavras.
    A isto chama-se data de credibilidade.

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    Igualzinho ao texto publicado no Jornal da Marinha da passada 5.ª feira.. Sem tirar nem pôr. Gabo-lhe a coragem!

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    Finalmente o Nelson Araujo disse tudo o que era preciso dizer.
    – Que oposição é esta que não deixa que os dois eleitos do PS governem como bem lhes apetece. Foram eles que ganharam, e o Povo disse que queria que os dois governassem sozinhos, de modo a que os outros cinco não se devem substituir ao Povo, mas sim fazerem papeis de assistentes da governação.
    – Por isso os 5 membros da oposição devem abster-se de opinar, foi assim que o Povo disse.
    – A oposição deve assistir ao dialogo e concertação dos dois membros do PS, no seu elevado sentido da governação.
    – Esse omissão de ter opinião é que significa um caracter construtivo para a terra.
    – A oposição ao longo dos anos, ao querer opinar tem hipotecado o futuro da Marinha Grande. Se têm ficado calados teríamos uma terra de eleição, assim é o que se vê.
    – Não se compreende que democracia é esta quando a oposição quer ter opinião. Deixem-nos trabalhar, mas calados.
    – A oposição devia ler o que o Nelson Araujo escreve, para ter um comportamento passivo como ele tem, e sempre teve, tanto na politica como na vida

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      Eish… Se vivessemos num mundo perfeito, seria assim que aconteceria, mas quando até no governo da nação isso não acontece (veja-se a geringonça, por exemplo, como se pode esperar que num governo de uma pequena cidade isso possa acontecer?

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    O Nelson acordou agora para a santidade. O Vicente que se cuide, está visto que o Nelson quer o poleiro e o caminho é o da virgem impoluta!!!

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