Foi Deus…

CuriosoGoverno, PSD, Santos8 Comentários


Diluvio_calvaoA correr como tem sido anunciado, o Governo de Passos tem os dias contados. Como já muitos disseram, formar um governo que deverá durar uma meia dúzia de dias não deverá ter sido fácil mas não pensámos que a dificuldade fosse tão grande ao ponto de ter conseguido arranjar um ministro que, à semelhança do Cavaco, invoca forças divinas para certos acontecimentos. Há uns meses o Cavaco afirmava que um dos resultados da avaliação da Troika era “inspiração de Nossa Senhora de Fátima“. Desta vez foi o ministro do Passos a afirmar que “a fúria da natureza não foi nossa amiga. Deus nem sempre é amigo, também acha que de vez em quando nos dá uns períodos de provação“. Disse que “em Albufeira a força da natureza na fúria demoníaca, embora os ingleses digam que é um ato de Deus, um atc of God, nós temos que traduzir de outra maneira“. Já há muito que não fazemos colecções mas parece-nos que, se fizéssemos, este ministro seria um dos que entraria na classe dos cromos premiados! Como pode um país chegar a algum lado com governantes assim?


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8 Comentário em “Foi Deus…”

  1. Curioso

    Outras preciosidades do Ministro:
    “Por isso fiz questão de começar esta visita pelos cumprimentos de condolências à família enlutada. Era um homem que já tinha vindo do estrangeiro, tinha 80 anos, fica a sua mulher Fátima. Ele, que era um homem de apelido Viana, entregou-se a Deus e Deus com certeza que lhe reserva um lugar adequado.”

    “A fúria da natureza não foi nossa amiga. Deus nem sempre é amigo, também acha que de vez em quando nos dá uns períodos de provação.”

    “Em Albufeira, a força da natureza na fúria demoníaca, embora os ingleses digam que é um ato de Deus, um ‘atc of God’, nós temos que traduzir de outra maneira.”

    “Esta gente precisa de ajuda imediata, que passa por uma palavra de solidariedade imediata. Estou aqui hoje, mesmo que logo à noite já não fosse ministro.”

    “Verifiquei que há muita gente que diz que já accionou os seus seguros. Fantástico. As pessoas estão conscientes que há outros mecanismos para além dos auxílios estatais.”

    “Quem não tem seguro, aprende em primeiro lugar que é bom reservar sempre um bocadinho para no futuro ter seguro.”

    “Cada um tem um pequeno pé-de-meia. Em vez de o gastar a mais aqui ou além, paga um prémio de seguro. Não imagina a quantidade de pessoas que falaram que já accionaram o seguro. Isto é uma lição de vida para todos nós.”

    “Eu sei que há muitas carteiras magras. Mas está a falar com uma pessoa que nasceu em Trás-os-Montes, que sabe o que é ser pobre e vir do pobre e tentar ser alguém. A mobilidade social funciona para todos. E todos temos de ter a nossa responsabilidade no sentido e dizer: ‘eu tenho um negócio, vou fazer o meu seguro para que se o infortúnio me bater à porta tenha valido a pena pagar o prémio’.”

  2. Avatar

    Se é certo que alguns políticos deixam muito a desejar, também é certo que os políticos são necessários a qualquer sociedade democrática. E qualquer democrata que se preze, não pode dizer generalizadamente mal dos politicos. Os movimentos de cidadãos também são políticos, sendo que político é todo aquele que faz…política! Política é algo que diz respeito à polis. A nós todos. A política está em todo o lado e em tudo o que fazemos. Ser político não é sinónimo de falta de bom senso, ou de corrupção, ou de preguiçozisse! Ser político é um orgulho quando bem se desempenham as funçoes. Não generalizem!

  3. Avatar

    A mobilidade social só é capaz de funcionar para todos quando existe um Estado Social digno dessa designação. Aquele Estado Social que considera o pobre como uma vítima da sociedade através da forma como esta está organizada.

    Actualmente, tal como temos vindo a constatar, o pobre é olhado como um inadaptado, um calão, um relaxado, que não se esforça, entre outros epítetos similares,

    Ou seja, caminhamos a passos largos para um tempo que deixou saudades a esta direita.

    Para os esquecidos, para as vítimas de uma memória curta, deixo aqui um excerto do livro “Medo de Existir” da autoria do filósofo José Gil.

    Vá. Vamos todos poupar muito. É tão louvável uma vida assim.

    “A poupança não foi apenas uma técnica, por assim dizer, artesanal, de amealhar, nem, certamente para o povo, de «acumular capital». Foi uma estratégia de sobrevivência, entre as condições mínimas para subsistir «dignamente» enfrentando eventuais desgraças futuras (doenças, acidentes), aumentos de despesas (filhos, festas, etc.) num país em que não existiam praticamente segurança social e apoio à saúde, a ambição de se elevar a um nível de vida um pouco melhor. A poupança não se praticava unicamente nas classes médias.

    Que significava poupar? Restringir o desejo ao mínimo indispensável para criar «um pé de meia». O que impressiona, hoje, é a obsessão, a continuidade obstinada, a paixão quase, com que se poupava. Poupava-se na comida, na roupa, na casa, nos divertimentos, nos prazeres da vida de toda a ordem. Umas calças podiam durar dez ou vinte anos mesmo, e os sapatos outros tantos; remendavam-se camisas, cerziam-se saias, guardavam-se os restos da véspera e da antevéspera para as refeições do dia seguinte. Aproveitavam-se as águas usadas da cozinha para as verter na sanita, economizando gastos da companhia. Não se deixavam inutilmente luzes acesas, etc, etc.
    Economia familiar de medos e esperança, com os seus pequenos potlatchs nas celebrações cerimoniais, nascimentos, casamentos, festas do calendário religioso” (pp. 67-69).

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