País

Este fim-de-semana o Passos, acompanhado por uma fila de ministros, anunciou uma saída limpa. Não podemos dizer que gostamos de ter por cá os senhores da Troika mas a sua presença dava-nos, apesar de tudo, alguma segurança. O país entrou numa situação de falência pelas políticas que foram sendo seguidas pelos que achavam ser capazes de o governar. O resultado ficou patente no nível de endividamento a que chegámos. Claro que se poderão por as culpas nas agências de rating que colocaram o país abaixo de lixo mas, muito provavelmente, se não fosse isso nunca se iria saber a verdadeira situação em que estávamos (se é que hoje se sabe mais de metade) e iríamos continuar a viver na ilusão. Da esquerda à direita ninguém falava no assunto porque interessava a todos as mordomias e ilusão de riqueza em que se vivia. Precisámos de pedir dinheiro emprestado e nada mais normal do que quem empresta viesse cá controlar o que se passava. Nestes três anos, em que estamos a ser governados por incompetentes de irrevogáveis revogados, o país não fez as reformas que necessitava fazer; não mudou o que necessitava de mudar e apenas mostrou que consegue fazer o que é fácil: aumentar a receita penalizando quem trabalha, sem diminuir os encargos. Apesar do controle que fizeram, as visitas da Troika não impuseram as medidas que eram realmente necessárias e agora é tarde. Agora que se sabe que não vamos ter uma saída acompanhada voltamos a sentir que o país poderá voltar ao fosso – de onde temos dúvidas se chegou mesmo a sair. Com as eleições à porta – as legislativas, já que as Europeias pouco contam – e sem ninguém para controlar o que quer que seja vamos começar a percorrer caminhos perigosos. Não temos governantes à altura e sem haver quem controle o que se faz, e como se esbanja o dinheiro, por certo que iremos cair na mesma situação dentro em breve. Perante a perspectiva de podermos ter o Seguro no próximo Governo, incompetente igual aos que agora lá estão, a ideia de podermos ter quem viesse cá controlar o que ele possa querer fazer não soa assim tão mal. É por isso que não damos saltos de alegria por vermos a Troika ir-se embora. Podemos até ter a “soberania” de volta mas haverá realmente soberania numa país falido? Vamos ter uma saída limpa mas não conseguimos deixar de achar que se perdeu uma oportunidade de ouro de se fazerem as reformas que eram necessárias. Vamos voltar a estar entregues a nós próprios, sem muletas nem livro de instruções e o resultado vai ser, como não pode deixar de ser, mau. Pode ser que estejamos enganados, e se assim for será bom sinal, mas é muito provável que ainda tenhamos todos saudades do tempo em que, porque havia o medo da intervenção dos credores e da Troika, não se esbanjava tanto como era habitual. 


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4 comentários

  1. atenção que Jorge Coelho – mota engil- estradas- por -todo -o -lado-esta de volta para ajudar á 4ª bancarrota socialista !

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