Exames e os que os não fazem

CuriosoGreve19 Comentários


De certo modo, o que esperávamos aconteceu. Aqui na terra hoje os jovens conseguiram fazer os exames do secundário. Pelo que já conseguimos saber, nenhum aluno ficou com exame por fazer. Pelo que vimos nas redes sociais, em algumas publicações que foram sendo feitas durante a manhã, alguns professores que dão aulas aqui na terra compreenderam que, mais uma vez, poderá haver interesses partidários que movimentam  algumas das acções sindicais, não estivéssemos nos perto das eleições autárquicas! Este facto levou-nos a ir tentar saber quem é o representante do sindicato. Dos 32 anos que tem de profissão, apenas 11 deu aulas, tendo passado o resto do tempo em funções sindicais. Apesar disso, foi avaliado com classificação de “bom” segundo ele porque “Fui avaliado com base num relatório de toda a actividade desempenhada na Fenprof, acções de formação que realizei, conferências e congressos em que participei, artigos que escrevi na comunicação social, tudo“. E ensinar, não? Pois não. Não foi avaliado por ensinar! Foi aqui que nos lembrámos do Relvas, da sua avaliação e de lhe terem sido reconhecido créditos em tudo menos no que realmente importava. O Relvas desapareceu de circulação, e bem. E os outros? Será que somos só nós quem acha muito pouco correcto que alguém, que passa um terço da vida profissional a fazer tudo menos dar aulas, seja capaz de representar cabalmente aqueles que ensinam? Será que somos só nós quem não compreende que um professor não deva ser avaliado sem dar aulas mas somente pelas conferências em que participou? Será que somos só nós quem acha que há mais Relvas por aí? Será por ele ter conseguido “bom“, sem ter tido necessidade de mostrar que merecia essa classificação a dar aulas, que não entendeu que poderia não estar a fazer bem quando convocou a greve que prejudica alunos e não tanto o governo? Será que foi por isso que não entendeu que deveria ter agido quando apareceram os mega-agrupamentos; quando foram reduzidas as comparticipações escolares; quando foi aumentado o número de alunos por turma; quando foram reduzidos os apoios pedagógicos; quando aumentou a carga horária dos professores; quando as propinas foram aumentadas ou quando foi reduzido para um o número de funcionários por cada cem alunos? É que assim até parece que é uma acção pré-eleitoral ou só porque irão ter quarenta horas semanais!

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19 Comentário em “Exames e os que os não fazem”

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    O Tojeira que têm ambições a dirigir a nossa terá foi vangloriar-se que fez greve. Deve ter deixado os alunos sem exames.
    Vergonhoso!
    Utilizam os alunos como arma de arremesso.

    1. Avatar

      O Tojeira tem muito nível1 Foi meu professor e sempre se dedicou de corpo e alma aos seus alunos, á escola e aos projetos que andou a desenvolver na escola. Vergonhoso é virem aqui anonimamento dizer estas parvoíces! E sim sou daqueles que o gostava de ver como presidente da camara! Acho que qualquer seu ex aluno votaria nele!

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    Já o Professor Cesário teve um comportamento responsável exemplar.
    É nestas alturas que a diferença de nível vem ao de cima.

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    Quando se faz uma greve, sempre sai alguém prejudicado com ela.
    Neste caso são, obviamente, os alunos. Mas a questão central são os motivos pela qual se fez a greve. Sobre isso o curioso não diz uma palavrinha, mas seria ótimo que o fizesse e explicasse a história toda para que os calhandreiros, incluindo eu, antes de vir aqui criticar o professor A ou B, os sindicatos ou o governo, soubessem do que estão a falar.
    A mim parece-me que ainda é um direito e é legitimo fazer greve quando há razões para a tal, nem que seja na véspera das eleições.

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    Pelos vistos a maioria dos professores tiveram a inteligência de perceber que aquele senhor da fenprof não é mais do que um PCP em guerra santa a tudo e a todos os governos, que, por algum motivo não alinham no modelo social de grande sucesso que defendem como são Cuba ou a Coreia do Norte.

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    É por causa destes e outros sábios que o país está como sabemos. Continuem a votar no mesmos e não façam guerras santas nenhumas que vamos no bom caminho.

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    Na verdade o Curioso esteve mal neste post…resumiu um assunto nacional a um caso pessoal.
    Muito triste e tendencioso!

    Alguém aí disse ser contra os profissionais do sindicalismo, mas não diz de que outra forma se podia exercer essa actividade. Provavelmente o sindicalismo que essa pessoa gostava que existisse, era a sua inexistência, muito ao jeito salazarista!

    1. Avatar

      Caro anónimo. Não entendemos a relação que estabelece entre o assunto nacional e um caso pessoal. Não é esse “caso pessoal” quem está a conseguir orientar um “assunto nacional”?

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    Fui eu que disse que sou contra os profissionais do sindicalismo. Se não me fiz entender bem ou se não quis entender, eu explico. Sou contra a existência de “sindicalistas” que não picam cartão nas empresas onde deviam trabalhar e passam anos por conta do sindicato sem que os trabalhadores e os empregadores saibam o que fazem (ou não fazem). É sempre a mesma desculpa: ACTIVIDADE SINDICAL. Por acaso esses sindicalistas picam cartão no sindicato??? Neste caso devia haver uma limitação de mandatos, tal como nas autarquias.
    Sou sindicalizado desde o meu primeiro dia de trabalho, entendo que os sindicatos são imprescindíveis à defesa dos direitos dos trabalhadores, mas não se devem tornar abrigo de mandriões, que não fazem porra nenhuma.

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    Mas quem é este Nogueira da FENPROF que nunca fez nada na vida, além de ser um profissional do sindicato, já que como professor era uma nódoa, segundo dizem os colegas de Coimbra, para vir falar na defesa do ensino público.
    Para ele está sempre tudo mal.
    Mas então, não trabalhamos já as quarenta horas?
    Não lecionamos já as 22 horas?
    E a mobilidade? Só agora é que apareceu?
    Por favor calem-me este homem.

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    Bem visto pelo Curioso.
    Então e o Professor/candidato a Presidente da Câmara fez greve? Está alinhado com o Professor/sindicalista? Também é um dos que queria que os exames não se realizassem, com 100% de adesão á greve, sem se preocupar com os alunos. Mais um exemplo de que coloca os seus interesses pessoais em primeiro, e mais exemplos existem, dele e de alguns que o apoiam nessa velha ambição pessoal.
    Diferente do Sr. Logrado, do Sr. Aurélio ou do Sr. Santos, não fazem greves prejudiciais e sabem que o Sr. Ministro da Educação tem razão.

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    Deixo este texto com o qual concordo:

    A minha entrada no ensino foi feita numa pequeníssima aldeia rural do norte. Éramos uns 80 alunos, da 1ª à 4ª classe, todos juntos na mesma e única sala de aula da escola – que não me lembro se tinha ou não casas-de-banho, mas sei que não tinha qualquer espécie de aquecimento contra o frio granítico, de Novembro a Março, que nos colava às carteiras duplas, petrificados como estalactites. Lembro-me de que o “recreio” era apenas um pequeno espaço plano, enlameado no Inverno, e onde jogávamos futebol com uma bola feita de meias velhas e balizas marcadas com pedras. A escola não tinha um vigilante, um porteiro, uma secretária administrativa. Ninguém mais do que a D. Constança, a professora que, sozinha, desempenhava todas essas tarefas e ainda ensinava os rios do Ultramar aos da 4ª classe, a história pátria aos da 3ª, as fracções aos da 2ª, e as primeiras letras aos da 1ª. Ela, sozinha, constituía todo o pessoal daquilo a que agora se chama o 1º ciclo. Se porventura, adoecesse, ou se na aldeia houvesse, que não havia, um médico disposto a passar-lhe uma baixa psicológica ou outra qualquer quando não lhe apetecesse ir trabalhar, as 80 crianças da aldeia em idade escolar ficariam sem escola. Mas ela não falhou um único dia em todo o ano lectivo e eu saí de lá a saber escrever e para sempre apaixonado pela leitura. Devo-lhe isso eternamente.

    Nesse tempo, não havia Parque Escolar, não havia pequenos-almoços na escola (que boa falta faziam!), não havia aquecimento nas salas, não havia o recorde de Portugal e da Europa de baixas profissionais entre os professores, não havia telemóveis nem iPads com os alunos, não havia “Magalhães” ao serviço dos meninos, mas sim lousas e giz, os professores não faziam greves porque estavam “desmotivados” ou “deprimidos” e a noção de “horário zero” seria levada à conta de brincadeira. Era assim a vida.

    Não vou (notem: não vou) sustentar que assim é que estava bem. Limito-me a dizer que tudo é relativo e que nada do que temos por adquirido, excepto a morte, o foi sempre ou o será para sempre. E sei que na Finlândia – o país considerado modelo no ensino básico e secundário pela OCDE – os professores trabalham mais horas do que aqui, não faltam às aulas e ganham proporcionalmente menos. Com resultados substancialmente melhores, do único ponto de vista que interessa aos pais e aos contribuintes: o desempenho escolar dos alunos.

    1. Avatar

      Continuação.

      Só uma classe que recusou, como ultraje, a possibilidade de ser avaliada para efeitos de progressão profissional – isto é, uma classe onde os medíocres reivindicaram o direito constitucional de ganharem o mesmo que os competentes – é que se pode permitir a irresponsabilidade e a leviandade de decretar uma greve aos exames nacionais. Nisso, são professores exemplares: transmitem aos alunos o seu próprio exemplo, o exemplo de quem acha que os exames, as avaliações, são um incómodo para a paz de um sistema assente na desresponsabilização, na nivelação de todos por baixo, na ausência de estímulo ao mérito e ao esforço individual.

      Mas a greve dos professores vai muito para lá deles: reflecte o estado de espírito de uma parte do país que não entendeu ou não quer entender o que lhe aconteceu. Deixem-me, então recordar: Portugal faliu. O Portugal das baixas psicológicas, dos direitos adquiridos para sempre, das falcatruas fiscais, das reformas antecipadas, dos subsídios para tudo e mais alguma coisa, dos salários iguais para os que trabalham e os que preguiçam, faliu. Faliu: não é mais sustentável. Podemos discutir, discordar, opormo-nos às condições do resgate que nos foi imposto e à sua gestão por parte deste Governo: eu também o faço e veementemente. Mas não podemos, se formos sérios, esquecer o essencial: se fomos resgatados, é porque fomos à falência; e, se fomos à falência, é porque não produzimos riqueza que possa sustentar o modo de vida a que nos habituámos. Se alguém conhece uma alternativa mágica, em que se possa ter professores sem crianças, auto-estradas sem carros, reformas sem dinheiro para as pagar, acumulando dívida a 6, 7 ou 8% de juros para a geração seguinte pagar, que o diga. Caso contrário, tenham pudor: não se fazem greves porque se acaba com os horários zero, porque se estabelece um horário semanal (e ficcional) de 40 horas de trabalho ou porque o Estado não pode sustentar o mesmo número de professores, se os portugueses não fazem filhos.

      Por mais que respeite o direito à greve, causa-me uma sensação desagradável ver dirigentes sindicais, dos professores e não só, regozijarem-se porque ninguém foi trabalhar. Ver um sindicalismo de bota-abaixo constante, onde qualquer greve, qualquer manifestação, é muito mais valorizada e procurada do que qualquer acordo e qualquer negociação – como se, por cada português com vontade de trabalhar, houvesse outro cujo trabalho consiste em dissuadi-lo desse vício. Assim como me causa impressão, no estado em que o país está, saber que quase 200.000 trabalhadores pediram a reforma antecipada em 2012, mesmo perdendo dinheiro, e apesar de se queixarem da crise e dos constantes cortes nas pensões. Porque a mensagem deles é clara: “Eu, para já, mesmo perdendo dinheiro, safo-me. Os otários que continuarem a trabalhar e que se vierem a reformar mais tarde, em piores condições, é que lixam!” É o retrato de um país que parece ter perdido qualquer noção de destino colectivo: há um milhão de portugueses sem trabalho e grande parte dos que o têm, aparentemente, só desejam deixar de trabalhar. Será assim que nos livraremos da troika?

    2. Avatar

      Continuação.

      As coisas chegaram a um ponto de anormalidade tal, que, quando o ministro da Educação, no exercício do seu mais elementar dever – que é o de defender os direitos dos alunos contra a greve dos professores – convoca todos eles para vigiar os exames, aqui d’El Rey na imprensa bem-pensante que se trata de sabotar o legítimo direito à greve. Ou seja: que haja professores (que os há, felizmente!) dispostos a permitir que os alunos tenham exames é uma violação ilegítima do direito dos outros a que eles não tenham exames. Di-lo o dr. Garcia Pereira, o advogado dos trabalhadores e do dr. Jardim, infalível defensor da classe operária, e o mesmo que, no final do meu tempo de estudante, na Faculdade de Direito de Lisboa, invocando os ensinamentos do grande camarada Mao, decretava greve aos “exames burgueses” – que o fizeram advogado.

      Não contesto que as greves, por natureza, causem incómodos a outrem – ou não fariam sentido. Mas há limites para tudo. Limites de brio profissional: um cirurgião não resolve entrar em grave quando recebe um doente já anestesiado pronto para a operação; um controlador aéreo não entra em greve quando tem um avião a fazer-se à pista; um bombeiro não entra em greve quando há um incêndio para apagar. Eu sei que isto que agora escrevo vai circular nos blogues dos professores, vai ser adulterado, deturpado, montado conforme dê mais jeito: já o fizeram no passado, inventando coisas que eu nunca disse, e só custa da primeira vez. Paciência, é isto que eu penso: esta greve dos professores aos exames, por muitas razões que possam ter, é inadmissível.

      Miguel Sousa Tavares

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