Greve

Hoje o país, e outros na Europa, está em greve geral. É um direito legítimo e quanto a ele nada há a dizer. Depois de darmos uma volta pela terra e por alguns dos locais que conhecemos, sem que possamos fazer uma estimativa da percentagem de adesão, nota-se que ela se faz mais sentir ao nível da função pública. Isto leva a questionar a oportunidade e mesmo conveniência da greve e quais os resultados que daqui se podem esperar. Mostrar descontentamento? Isso já não é de hoje e ficou sobejamente demonstrado na manifestação espontânea de há dois meses.  Mostrar que as políticas que estão a ser implementadas podem não nos levar a lado nenhum? Isso é também algo que todos os dias é falado e sabemos. Vai-se conseguir alterar alguma coisa, cá, com a greve? Temos sérias dúvidas! As greves são, desde há muito, uma forma daqueles que a elas aderem ficarem em casa a tratar da sua vidinha ou ir para as superfícies comerciais. Lembramos do tempo em que as greves eram feitas nos locais de trabalho, cumprindo o horário mas sem que se trabalhasse! Hoje a sensação que temos é que a greve é um pouco para cumprir calendário e dar aos sindicatos, que a ela aderiram, a possibilidade de dizer que atingiram o fim a que se propuseram. Que as medidas que o governo está a por em prática nos estão a conduzir à miséria, disso ninguém tem dúvida. Que a greve vai alterar alguma coisa, duvidamos. O governo irá cair e a seguir vai para lá o Seguro? Venha o diabo e escolha! Medidas para ajudar o país, recordamos quando, há muitos anos, todos os trabalhadores aceitaram dar um dia de trabalho a favor do Estado. Claro que os tempos são diferentes e nessa altura ainda havia quem estivesse no governo para ajudar o país (tenha conseguido ou não) e não para se ajudar a si próprio. Nesta altura poder-se-á também questionar se não valerá pensar no que muitos já defendem dever ser posto em prática – desobediência civil generalizada. Ainda assim, a greve está aí e como direito que é, deve ser respeitado, como respeitado deve ser o direito daqueles que não queiram aderir. 


Seguir
( 0 Seguidores )
X

Seguir

E-mail : *

Comentar com conta do Facebook

comentario(s) no Facebook

8 comentários

  1. Nem sempre concordo com o que aqui é escrito mas desta vez tenho que concordar. O país não pode viver com paralisações constantes. Não é assim que se cria riqueza.

  2. Não sei qual é objectivo deste post. A greve geral também é uma maneira de desobediência civil, uma, mas organizada. Sem organização com meios humanos e financeiros é impossível manifestar descontentamento, que seja respeitado. O modo de fazer greve não está em nenhuma lei nem nenhum manual. Cada um que não compareça ao trabalho hoje e que não esteja de baixa, é mais um que está a ajudar para êxito desta forma de luta, independentemente do local onde achou melhor passar o tempo. Claro, se fosse à manifestação mais próxima acabava por dar expressão mais visível à sua tomada de posição.

  3. Vejamos, as pessoas ao aderirem a esta Greve Geral só estão a dar razão ao Governo, se é na Função Pública e nas empresas aonde o estado tem ainda algum peso, então esses funcionários ainda têm margem no seu orçamento para mais cortes/impostos, se podem perder um dia de vencimento, podem ver reduzidos ainda mais os seus vencimentos. E mais,
    neste momento só estão a prejudicar quem quer trabalhar e de quem necessita, vejam os efeitos nos transportes, na saúde, na educação, nas exportações (no caso dos estivadores),etc… Não me pareçe que seja só o Governo a Nos querer levar ainda mais ao fundo! Assim não vamos lá!! Quanto pior melhor?? …Depois não se queixem!

    • Durante tempos não se fez greve e trabalhou-se… Retiraram-nos os direitos mesmo cumprindo os nossos deveres. E agora pedem-nos para continuar a trabalhar como cordeiros, como se nada estivesse a acontecer? Não foram as minhas despesas que levaram o país à bancarrota. Eu pagava consoante o que ganhava! Agora é-me totalmente impossível… Faço o mesmo, as despesas aumentam e as receitas continuam a diminuir… E que faço eu? Vou trabalhar à mesma (que remédio). Mas nos dias em que posso mostrar a minha indignação, mostro! Luto! Porque se não lutar nada acontecerá, se lutar, pode acontecer…

  4. Quando a manifestação da CGTP terminou, por volta das 16h45, grupos de mascarados insultavam os trabalhadores à saída – eu estava lá e sei do que estou a falar. É destes grupos proto-fascistas a responsabilidade pelo que se está a passar. Mais uma vez, em vez da imagem de uma das maiores greves gerais de sempre, fica a imagem da fogueira e do sangue. (Pedro Penilo)

  5. Há idiotas para tudo. Há quem se acha muito radical por atirar pedras à polícia e centrar nos polícias (trabalhadores, assalariados) a sua fúria enquanto os banqueiros acumulam milhões.
    Será que algum destes fez greve? ou após o seu horário de trabalho vieram fazer a festa?
    Será que alguém acha que isto dá força à luta?
    Não será difícil de perceber que os noticiários abrirão com esta notícia, relegando para segundo plano a grandiosa greve geral.
    Que interesses servem estes indivíduos?
    (os interesses dos trabalhadores, do povo e do país não servirão certamente!)

Deixe uma resposta

Seu endereço de e-mail não será publicado.

  
Please enter an e-mail address

Postar Comentário